Guasqueiro:
O Guasqueiro é o artesão que usa o couro cru como principal matéria-prima de seus trabalhos. O termo tem origem na palavra “guasca”, que significa pedaço ou tira de couro não curtido, sendo o profissional, aquele que faz trançados exclusivamente com este material.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Paulo Romero - Cuchillero
Sugestão de nossos visitantes
Bueno, atendendo uma sugestão do parceiro Marcos Lino, visitante do Blog, colocamos a letra da música do Mano Lima, no qual também "se declara" Guasqueiro e domador.
Guasqueiro e Domador
Toldei um bagual ruano que mal pisava o capim
Pingo de saltar esmagando se a volta viesse pra mim
Troteava as chilenas, bufando e bem arreglado
Fui visitar uma morena, que conheci no povoado
Eu que vivo domando e lidando com corda forte
Sou guasqueiro e domador e pra o amor tenho sorte
Boleei a perna no rancho e ele estava na janela
Frouxei o bocal do ruano, atei e fui lá vê ela
Ela foi lá na cozinha e trouxe um mate bem cuiudo
Eu olhava aquelas mãozinhas e apertava com cuia a tudo
E ali tivemos mateando pensando em que conversar
Disse ele tá sentando o teu bagual vai escapar
Só que rebente o pescoço, mas a cabeça é de ficar
Vira o mate e aquenta a água que tá querendo esfriar
Corda que eu faço menina, não é com lonca de sapo
Potro que eu pego se amansa, senão a golpe lhe mato
Agora o ruano tá manso, já dei a segunda sova
Já trouxe a china pra o rancho, morar na querência nova
Nas madrugadas charruas levanto devagarinho
Fica que é uma tatua, aninhada no meu ranchinho
domingo, 3 de janeiro de 2010
Guasquero Valentin Lescano
Fonte: Campo en Accion
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pátria Guasca - payada
Dom Arabí Rodrigues - www.arabi-rodrigues.blogspot.com
Homenagem ao Xico Das Cordas (Hercules Rodrigues)
Meus Irmãos das sesmarias
da pátria pampa, querência
permitam quando a consciência,
se levanta à luz do dia,
pra demonstrar alegria
ao reencontrar um parceiro,
talentoso, tarimbeiro,
destes do garrão torcido
agora mui conhecido
pelo tal: XICO guasqueiro...
Não faz muito, este campeiro,
trançador, por dom inato,
vendia o próprio retrato
num balcão, de bolicheiro.
Mas o destino, um luzeiro,
que Deus entrega pra gente
volteou de vez o vivente,
pra verdadeira missão:
de trançar cordas a mão
pra palanquear o pressente.
A tua presença, ausente,
me fez pensar no passado,
quando de ombro calçado,
mundo novo a nossa frente,
transbordando de contente,
desquinava alguma idéia
à frete duma platéia
que lotava o coração.
Te vi trançando emoção,
no Teatro da Assembléia.
Ali, revi “Dulcinéia”,
Don Quixote de la Mancha,
e Servantes abrindo cancha
ao largo da tua estréia.
Enquanto eu, da epopéia
de Vitor Mateus Texeira,
cruzava o tempo, a fronteira,
de tudo que aqui existe.
Só pra ser o canto triste
da querência, à Pátria inteira...
Por fim um mate cevado,
erva buena da Palmeira,
logo depois que boiera,
desponta no céu dourado,
trazendo o sol cabresteado,
num sovéu de cinchar touro,
não precisa de cachorro,
sendo XICO guasqueiro,
vem a trote pro potreiro,
pra “modi” manter o couro
NH. casa do rio, Natal de 2009
Entendendo melhor um Guasqueiro.
Carnal: Lado do couro que está pegado à carne do animal.
Guasca: Tira, correia, corda de couro cru, isto é, não curtido. Denominação dada aos rio-grandenses pelos filhos de outros Estados, pelo fato de, em vista da predominância da industria pastoril e da carência de outros materiais, haver sido generalizada o emprego do couro cru para as mais diversas finalidades. Essa designação, a princípio, teve significado pejorativo, sendo hoje perfeitamente aceita pelos rio-grandenses que dela se orgulham.
Lonca: Denominação dada a parte do couro do cavalar ou muar, tirada dos flancos, da região que vai da base do pescoço até às nádegas. A lonca não é curtida. É utilizada para fazer tentos ou para retovos. para pelar a lonca se usa faca ou cavadeira de pau, após curtimento com cinza. (A palavra é de origem platina, lonja, que significa couro descarnado, com pelo ou sem ele).
Lonquear: Preparar o couro, em geral do cavalar ou muar, limpando-o e raspando-lhe os pêlos, afim de utilizá-lo depois para feitura de tentos, tranças, costuras e retovos. Courear, no sentido de tirar o couro do animal morto no campo, de peste, magreza ou desastre.
Preparos: Aperos, arreios. Peças que formam o arreamento do animal de montaria, de tração ou de carga. Os aparelhos de cois das carretas de bois.
Sovador: Pedaço de pau, com mais ou menos dois palmos de comprimento e uma ou duas polegadas de diâmetro, fendido longitudinalmente até dois terços do seu tamanho, utilizado para amaciar guascas de couro. O mesmo que mordaça.
Tento: Tura fina de lonca que é empregada para costurar couro, para fazer botões e passadores, para atar alguma coisa, e para muitos outros fins. Tira de couro cru utilizada para a feitura de laçõs, sovéis tamboneiros, relhos, qualquer aparelho trançado e inúmeros outros usos.
Fonte: Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul. Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes - Martins Livreiro
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Breve histórico do Guasqueiro
A origem deste ofício remonta ao período de colonização espanhola e portuguesa na América do Sul, quando o “gaúcho histórico” começava a desbravar os campos do Rio Grande do Sul e dos países do Prata, caçando o gado selvagem abandonado pelos jesuítas espanhóis. Nesta época, surgia, então, o trabalho do guasqueiro, que era o de fabricar artigos de couro para montaria. Os cavaleiros aproveitavam o tempo livre em dias de chuva e em períodos de ócio entre as guerras para desenvolver complexos trançados de couro, destinados não somente para deter e guiar a sua montaria, mas também para embelezá-la.

Com a divisão dos campos em estâncias, o gaúcho tornou-se peão de campo e a atividade de guasqueiro manteve-se viva no cotidiano. Alguns passaram a se dedicar exclusivamente à profissão e a fabricar os aperos. Atualmente, com o crescimento dos criatórios de eqüinos no Estado e o renascimento do tradicionalismo, os guasqueiros reaparecem com força total.
Texto: Rodrigo Lobato Schlee | guasqueiro.blogspot.com
Mulato Guasqueiro
5ª Galponeira de Bagé
Mulato Guasqueiro (Letra: Otávio Severo e Rafael Xavier; Música: Zé Renato Daudt).
Intérprete: Jari Terres.
Violões: Silvério Barcelos e André Teixeira.
Gaita: Giovane Marques.
Baixo: Luis Fernando Bender.
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