Guasqueiro:

O Guasqueiro é o artesão que usa o couro cru como principal matéria-prima de seus trabalhos. O termo tem origem na palavra “guasca”, que significa pedaço ou tira de couro não curtido, sendo o profissional, aquele que faz trançados exclusivamente com este material.
Mostrando postagens com marcador romance do guasqueiro só. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador romance do guasqueiro só. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Romance do Guasqueiro Só

Loresoni Barbosa

Agosto alçou o poncho
sobre os ombros da coxilha,
entranhando nas canhadas
todo sabor da invernia.
A noite chora nos campos
serenas lagrimas frias,
já não se vêem pirilampos
luzindo pelas campinas.

Reflete n'água do açude
uma tropilha de estrelas,
repontada pela lua
entre nuvens passageiras,
a boeira mostra o rumo
pro coração estradeiro,
que retumba cá por dentro
estropiado, sem parceiro.

Um temporal de saudades
encharca as noites de espera,
ausência bate na porta
deixando o peito tapera.
No remanso há um par de sonhos
boiando no mate frio,
são retalhos dos meus olhos,
que mergulharam no rio.

As raízes do espinilho
vão abraçando as cambonas,
o fogo queima horas largas
sigo entoando milongas.
O minuano assoviando
vem descendo as canhadas,
repontando quero-queros
na solidão das estradas.

Procuro versos costeiros
pelos ga1pões da memória,
sovando corda e recuerdos
ao lento passar das horas.
E quando a saudade apeia
nos pensamentos guasqueiros
tranço lamento e poesia
guitarreando pros luzeiros.

Quem sabe os ventos teatinos
que vagueiam campo a fora,
tragam teus 1ábios sorrindo
pra matizar minhas auroras.
Pois quem encanta as estrelas
com versos e partituras
há de encontrar uma delas
perdida nessas planuras.

Minhas retinas se alargam
mirando ao largo a boeira
e o rneu cantar procurante
ressoa ao 1éu sem parceira,
então sofreno essa ânsia
de andar degustando as noites
e volto a beber nos mates
saudades de a1guém distante.

O vazio das madrugadas
preenche o rancho de anseios,
e até os pelegos do catre
sentem falta do teu cheiro.
Restou nas várzeas do tempo
restevas do amor ausente,
e em meu coração charqueado
raízes do amor presente.

Sigo acordando sóis
que pingam réstias no poncho,
e as janelas bocejando
pintam quadros no meu rancho.
Quando a guitarra emudece
e o meu peito se encerra,
a juriti ensaia um canto.
Que saudades da primavera!

Quem sabe esse tempo amargo
sinta sede dos verões,
bordando pastos nos campos
pra saciar recordações.
Quem sabe ao passar o inverno
possas voltar a querência
e sentir o aroma das fibres
que choram a tua ausência.


0 comentários